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BOM (BILL OF MATERIAL)
 
 
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Melhores Práticas
BOM (Bill of Material)
Criado por PDPNet Knowledge Network ( NUMA / USP ) em 19 de Dezembro de 2008 - 16:38.
Atualizado por Henrique Rozenfeld em 05 de Junho de 2014 - 15:25.
Sumário:
Descrição:

Importância da BOM

A BOM, ou estrutura de produto é uma das informações fundamentais da manufatura, pois nela registram-se as informações de produtos utilizadas por todos os setores e processos envolvidos com a manufatura do produto.

Seu domínio é essencial para o sucesso da implantação de sistemas integrados. Apesar do desempenho desses sistemas estar vinculado à qualidade das informações que eles manipulam, a maioria das empresas não garante que suas informações fundamentais sejam completas e precisas. As informações fundamentais muitas vezes não são estruturadas e gerenciadas de acordo com o tipo de negócio e produto.

A falta de qualidade das informações fundamentais tem sido resumida por meio da expressão “garbage in, garbage out”, ou seja, se os processos da empresa estão manipulando informações sem qualidade, consequentemente os resultados alcançados por esses processos também estarão comprometidos.

A BOM é também um elemento que gera integração uma vez que suas informações são compartilhadas por quase todos os departamentos da empresa. Logo, a forma como é gerenciada, controlada e estruturada pode diretamente influenciar o sucesso da empresa. Uma empresa almeja ser de classe mundial deve possuir BOMs sólidas, representando os processos e produtos, em sintonia com as estratégias do negócio.

É importante destacar ainda a importância da BOM como sendo o ponto mais comum para interface ou integração entre os sistemas ERP (Enterprise Resource Planning) e PDM (Product Data Management) e entre os sistemas ERP e CAD (Computer Aided Design) possibilitando assim o fluxo e a consistência das informações.

Apesar da sua importância, GARWOOD (1995) afirma que a BOM tem sido o “calcanhar de Aquiles” da maioria das empresas de manufatura, as quais sempre esbarram nas seguintes questões: o meu produto tem diversos opcionais e alternativas, como conviver com o grande número de estruturas de produto necessárias? Como a estrutura de produto pode refletir diferentes estratégias de estoque? Como conviver com mais de uma estrutura de produto? Quem é o “dono” da estrutura de produto? Como simplificar a estrutura de produto? Como aumentar a precisão das informações?

Definição

Segundo definiu a AMERICAN PRODUCTION AND INVENTORY CONTROL SOCIETY (APICS), em 1992, a estrutura de produto (BOM - bill of material) é uma lista de todas as submontagens, componentes intermediários, matérias-primas e itens comprados que são utilizados na fabricação e/ou montagem de um produto, mostrando as relações de precedência e quantidade de cada item necessário.

CLEMENT et al. (1992) acrescentam que, além desses objetos, a BOM também pode conter outros, tais como, instruções de trabalho ou ferramentas requeridas para suportar o processo de manufatura.
Através da BOM é estabelecida uma relação pai/filho entre um item e seus componentes diretos.

Tipos de BOM e seus elementos

BOM padrão (standard BOM)

É uma BOM de vários níveis com a relação pai e filho, hierárquica, que contém a lista de todas as submontagens, componentes intermediários, matérias-primas e itens comprados que são utilizados na fabricação e/ou montagem de um produto, mostrando as relações de precedência e quantidade de cada item necessário.

BOM simples (flattened BOM)

A BOM mais simples possível é a de dois níveis, um com as matérias-primas e itens comprados, e outro com o produto final. A única razão para a criação de mais níveis são as necessidades do planejamento e controle da produção (PCP), como por exemplo a criação de submontagens ou itens intermediários que precisam ser estocados (GARWOOD, 1995).

Item fantasma e pseudo item e (phantoms and pseudo items)

Itens fantasmas são aqueles produzidos no processo de manufatura, possuindo “pais” definidos, porém não são tipicamente estocados. Apesar de existirem fisicamente, são rapidamente consumidos como componentes do item de nível imediatamente superior na BOM.

Um pseudo item é um coleção artificial de componentes que são agrupados para propósitos de planejamento. Ao contrário dos itens fantasmas, entretanto, os componentes do pseudo item não podem ser manufaturados juntos para produzir um item pai que exista fisicamente. Por essa razão os pseudo itens nunca possuem inventário.

BOM Molular e de Planejamento (modular and planning BOM)

A modularidade é a capacidade de se construir um produto ou processo complexo a partir de subsistemas menores (chamados módulos), os quais podem ser projetados independentemente e ainda assim funcionar juntos como um todo.

Se um produto possui muitas opções de escolha de itens, o número de combinações possíveis torna-se muito grande, dificultando a previsão de vendas e o planejamento mestre de produção de cada item final. Além disso, se for mantida uma BOM para cada configuração diferente do produto, o espaço requerido pode ser muito grande, envolvendo altos custos de armazenagem e manutenção.

A solução para este problema é a utilização da BOM modular. Ao invés de se manter uma BOM para cada produto final possível dentro de uma família, são identificadas as opções para cada um dos seus componentes, as quais são organizadas em módulos. Essa análise deve ocorrer no nível de menor variação na configuração, reduzindo assim o número de itens manipulados na previsão de vendas e no planejamento mestre de produção. A BOM utilizada neste caso é considerada a BOM de planejamento, onde definem-se porcentagens de cada item de menor variação de configuração.

Outra razão para utilizar a BOM modular acontece nos casos em que o lead time de manufatura é maior do que o lead time de entrega aceito pelo consumidor. Nesses casos, a modularização pode suportar a implantação da estratégia de estoque assemble-to-order, reduzindo o tempo entre a entrada do pedido do cliente e a entrega. A previsão de vendas é feita no nível dos módulos, os quais são fabricados e estocados. Quando ocorre um pedido do cliente, a configuração desejada é produzida utilizando-se os módulos previamente preparados.

BOM genérica (generic BOM)

A estrutura de produto genérica é uma aplicação do conceito de BOM modular para as atividades de vendas técnicas e controle de configurações, assim como a BOM de planejamento é uma aplicação para previsão de vendas e planejamento mestre da produção.

Aplicações para a configuração de produtos são uma extensão natural do conceito de BOM modular. Ao invés de módulos predefinidos, com os usados na BOM modular, o configurador pode utilizar algoritmos, regras e condicionais para selecionar e calcular os componentes de um produto e seus requisitos de manufatura.

Segundo VAN VEEN & WORTMANN (1987), assim como uma BOM específica descreve exatamente um produto, a BOM genérica descreve uma variedade de produtos (conceito de BOM modular). A BOM genérica não pode ser utilizada diretamente para propósitos de planejamento e manufatura. Ela é apenas um frame para a criação de BOMs específicas no momento necessário, geralmente durante a entrada do pedido do cliente.

BOM de manufatura (Manufacturing BOM)

BOM de manufatura representa a integração lógica da estrutura de produto e do plano de processo. A seqüência de operações é especificada e a cada operação são associados os itens necessários da BOM. A BOM de manufatura é usada como um guia para fabricação e montagem de um produto, sendo que seus níveis refletem o fluxo de produção e pontos de estoque.

Estrutura de Produto para Informação (Information Bill of Material)

As estruturas de produto para informação são relatórios padrões gerados pelos sistemas de informação para suportar análises diversas sobre a BOM e seus itens. Segundo GUESS (1985) e SCHLUSSEL (1995), os principais formatos de BOM para informação são:

  • Estrutura de produto “indentada” (indented bill of material): é uma representação alternativa à estrutura gráfica, sendo mais fácil de ser gerada pelos sistemas computacionais. Os níveis mais altos da BOM são colocados na extrema esquerda da margem e seus componentes são colocados sucessivamente para a direita à medida que se vai descendo ao longo dos níveis. Se um componente é utilizado em dois ou mais itens, ele aparecerá abaixo de cada um de seus itens pais.
  • Estrutura de produto de onde é usado (where-used bill of material): pode ser no formato de nível simples ou multinível. No primeiro tipo são mostrados todos os itens pai nos quais o componente é usado diretamente. No segundo tipo são mostrados todos os itens pai nos quais o componente é usado direta ou indiretamente, isto é, até o produto final, através de uma técnica chamada implosão
  • Estrutura de produto custeada (costed bill of material): é uma extensão do formato “indentado” no qual o custo de cada item é mostrado numa coluna à direita da descrição.
  • Estrutura de produto matriz (matrix bill of material): é um gráfico utilizado para identificar os componentes comuns dentro de uma família de produtos ou famílias similares.
  • Estrutura de produto resumida (summarized bill of material): uma forma de BOM de um nível na qual são listados todos os componentes necessários para a produção do item com suas quantidades. Difere do BOM “indentada” porque não são mostrados os níveis de montagem e os componentes aparecem apenas uma vez com a quantidade total necessária.

Variações da BOM e BOM única

Como os diferentes usuários da BOM possuem diferentes necessidades, tornou-se uma prática comum que cada um deles estrutura-se a sua própria BOM de acordo com essas necessidades individuais.

Os exemplos mais comuns de BOM departamental são a BOM criada pela engenharia (E_BOM - Engineering Bill of Material), e a BOM utilizada pelo PCP e pela manufatura (P_BOM - Production Bill of Material ou M_BOM - Manufacturing Bill of Material). A E_BOM, também chamada estrutura de desenho, representa os sistemas funcionais do produto. Já a P_BOM é elaborada a partir da E_BOM, e reflete a transformação da matéria prima e a montagem dos subconjuntos através do processo produtivo.

Essa abordagem implica, entretanto, na redundância de informações, e consequentemente no risco de inconsistência, bem como no aumento do esforço e do tempo de resposta das manutenções (GARWOOD, 1995).

Devido aos problemas apresentados, diversos autores, como CLEMENT et al. (1992), GARWOOD (1995) e WASSWEILER (1996), consideram que toda empresa deve perseguir o objetivo de ter uma estrutura de produto única que forneça múltiplas visões para suportar as necessidades de todos os usuários. Objetivo esse que é totalmente compatível com o estágio atual de desenvolvimento da tecnologia de informação.
GARWOOD (1995) observa que apesar do PCP ser o maior usuário da BOM e o que exige maior precisão das suas informações, ele não é o seu “dono”. Segundo WASSWEILER (1996), nesse novo cenário a BOM passa a ser responsabilidade de todos os seus usuários.

Dissertação de mestrado

OLIVEIRA, C. B. M. (1998). Estruturação, identificação e classificação de produtos em ambientes integrados de manufatura. São Carlos, 1999. Dissertação (Mestrado) – Escola de Engenharia de São Carlos - USP.

Artigos

AMERICAN PRODUCTION AND INVENTORY CONTROL SOCIETY. Dictionary. (1992). 7.ed. Falls Church, American Production and Inventory Control Society.

CLEMENT, J.; COLDRICK, A. SARI, J. (1992). Manufacturing data structures: building foundations for excellence with bills of material and process information. Atlanta, Oliver Wight. 1992. ( Disponível na biblioteca da EESC - USP ).

GARWOOD, D. (1995). Bills of material: structured for excellence. 5.ed. Marietta, Dogwood. (t:822).

GUESS, V. C. (1985). APICS training aid: bills of material. Revised edition, Falls Church, American Production and Inventory Control Society.

ROZENFELD, H.; OLIVEIRA, C. B. M.(1998) Estruturação e Identificação de Produtos em Ambientes Integrados. Máquinas e Metais, n. 392, p. 100-119, set. (t:796)

SCHLUSSEL, B. (1995). Principles of product structuring: how to get the most of your bill of material. In: APICS ANNUAL INTERNATIONAL CONFERENCE, Orlando, 1995. Proceedings. Falls Church, APICS. p.101-103.

VAN VEEN, E. A.; WORTMANN, J. C. (1987). Generic bill of material in assemble to order manufacturing. International Journal of Production Research, v.25, n.11, p.1645-1658. (t:828).

WASSWEILER, B. (1996). How to achieve and maintain bill of material accuracy. APICS ANNUAL INTERNATIONAL CONFERENCE, New Orleans, 1996. Proceedings. Falls Church, APICS. p.57-59.

Sites relacionados

APICS http://www.apics.org/ Instituição educacional dedicada ao estudo de gerenciamento de recursos. O site contém artigos sobre o assunto.

ICM http://www.icmhq.com/ Site dedicado especificamente à Configuraton Management. Apresenta aplicações relacionadas à Bill of Material.

AIMASOFT http://www.aimasoft.com/ Fornecedor de soluções que garantem a integração na engenharia, tendo um produto de BOM

Palavras-chave: BOM (Bill of Material)
Nó: 9510

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